17/04/2019

Série Tidelands, Temporada 1 - O processo de Categorização Social


Título: Tidelands
Direção: Toa Frase
Autores: Stephen M. Irwin e Leigh McGrath
Temporada 1
Ano: 2018
Gênero: Drama, Aventura
Elenco Principal: Charlotte Best (Cal McTerr),

                           Elsa Pataky (Adrielle Cuthbert),

                           Aaron Jakubenko (Augie McTerr),

                           Marco Pigossi (Dylan).


     Produzida na Austrália, a série conta a história de um grupo chamado Tidelands que possui alguns poderes especiais por serem filhos de sereias. Na série, as sereias são criaturas que com o seu canto atraem os pescadores para o mar e, após terem relações com eles, engravidam, os matam e abandonam seus filhos nas rochas. Neste seriado, as sereias se apresentam como monstros do mar e não têm uma aparência agradável como em outras histórias do gênero. 
     A série se inicia com Cal McTerr (Charlotte Best) que após sair da prisão, tenta retomar sua vida na cidade onde morava e, ao descobrir que possui poderes especiais como os Tidelands que são metade humano e metade sereia, vai até o grupo a fim de descobrir mais sobre si mesma. 
     Os Tidelands vivem em uma comunidade isolada da cidade e se sustenta fazendo negócios com os pescadores locais, que inclui o comércio de drogas. A líder Adrielle (Elsa Pataky) está disposta a fazer de tudo para proteger sua tribo, no entanto, tem interesses pessoais que esconde de todo o grupo. 

Elsa Pataky como Adrielle Cuthbert, líder dos Tidelands


     É uma série interessante, tem uma história bem aventureira, intrigante, mas há uns excessos tanto em relação à violência, quanto ao cunho sexual, que ao meu ver, são apelativos (todo mundo pega todo mundo), mas talvez faça parte da trama, já que os Tidelands são criaturas sensuais, poderosas e perigosas. 
     O ator brasileiro Marco Pigossi, tem um papel de destaque na série, ele interpreta o braço direito de Adriel. 

Os atores Marco Pigossi (Dylan) e Charlotte Best (Cal McTeer)

     O que possibilita a discussão da Categorização Social através da temática da série, é o conflito enfrentado pela protagonista que teve a missão de descobrir quem ela era, de onde vinha e qual sua verdadeira história de vida. 
     A partir do momento que Cal detecta que possui habilidades sobrenaturais e identifica-se com os Tidelands, diferencia-se dos demais seres humanos. Dessa maneira, é pertinente comentar sobre a Categorização Social. 
     A categorização é um processo que facilita e simplifica a organização dos objetos, pessoas, ideias, acontecimentos, instituições etc, agregando-os em grupos por suas características comuns. Podemos conceituar a categorização social como uma forma sistemática de organização que permite comparar os indivíduos identificando-os e agregando-os. 
     Segundo estudiosos, a categorização social possibilita ao indivíduo saber sua posição na sociedade, por meio do grupo ao qual pertence. Assim, o indivíduo adquire consciência de sua identidade social e esse conhecimento traz significados emocionais. Essa percepção das semelhanças e diferenças pessoais com um determinado grupo, recebem os nomes de assimilação intracategorial, que se refere a minimização das diferenças e a diferenciação intracategorias que é a maximização das diferenças. 
     A categorização social representa, portanto, uma atividade cognitiva que envolve o agrupamento (formação de categorias), o auto posicionamento em uma ou mais categorias (inclusão), a diferenciação entre categorias (contraste), a escolha de um foco central de cada categoria (protótipo) e a determinação das distâncias existentes entre os vários objetos agrupados e o seu protótipo (grau de tipicidade). 
     Como apontou Taifel, grande estudioso desta temática, o indivíduo tende a afiliar-se em um grupo, quando este é capaz de lhe fornecer alguns aspectos satisfatórios para a sua identidade. 
     E a partir desta afirmação, o autor propôs que a categorização social tem 3 componentes psicológicos: Cognitivo, Avaliativo e Emocional. O primeiro é a compreensão do indivíduo de sua pertença a uma categoria social, a segunda é a avaliação que este faz numa dimensão de valor e a terceira se refere as consequências emocionais dos componentes anteriores no indivíduo. Estes três componentes formaram a base da identidade social do indivíduo. 
     Percebe-se estes conflitos na personagem Cal, quando esta descobre não ser um ser humano comum após identificar-se com o grupo Tidelands; assimilar as similaridades existentes entre eles e a diferenciação dos demais humanos, além dos conflitos emocionais decorrentes desta descoberta.


















REFERÊNCIAS:


1- Categorização Social - FamaPsico. Acesso em Abril/2019


2- O Processo de Categorização Social [...] por Mirlene Maria Siqueira e outros autores, 1994. Acesso em Abril/2019

29/03/2019

Filme: Sob a Pele do Lobo e discussões acerca dos principais conceitos antropológicos

Título Original: Bajo la piel de lobo
Direção: Samu Fuentes
Ano: 2018
País de Origem: Espanha
Classificação: 18 anos
Elenco Principal: Mário Casas, Irene Escolar, Ruth Días



Mário Casas

     Protagonizado por Mario Casas, o filme é lento do início ao fim, os diálogos são raríssimos e o ator não tira a camisa nenhuma vez (Haha! Desculpem!). Disponível na Netflix, NÃO É UM FILME PARA TODO TIPO DE PÚBLICO! Fiquei processando ele por um tempo. 
     Um caçador vive uma vida solitária, numa época onde as mulheres não tinham muita expressividade na sociedade, tão pouco podiam realizar suas próprias escolhas, além de serem vistas como objeto de troca, servirem apenas para procriar e realizar os afazeres domésticos. 
     O caçador solitário trabalha vendendo as peles de lobos e, aceitando o conselho de um amigo para casar-se, o fato muda toda sua vida (deu ruim!). 
     Sua primeira esposa foi lhe dada em troca de uma dívida e o pai da moça deu-lhe justamente uma filha doente e já grávida. No entanto, já havia uma interação e conexão entre o caçador e a filha, mas com a morte dessa primeira mulher, o caçador vai cobrar a dívida e recebe em troca a filha mais nova que tem o dever de submeter-se ao casamento arranjado, viver em um local completamente distante da família com um homem que mal conhecia. Ele mora sozinho em uma aldeia distante das grandes cidades e possui uma conduta bastante embrutecida, o que é retratado no filme de forma bem realista, prolongada e insistente. 
     Quando o caçador recebe a proposta do pai de levar a segunda filha, ele avalia a “mercadoria” de forma minuciosa. A mulher tem medo do homem desde seu primeiro contato e quando ela passa a viver com ele, devido a seus hábitos serem bastante diferentes dos dela, ela não consegue adaptar-se às novas regras de vida, então sente-se sufocada e toma uma atitude radical. 
     O filme mostra o homem como animal aprendendo a ser social, desenvolvendo aos poucos sentimentos e emoções meramente humanas pelo relacionamento interpessoal já que viveu sozinho durante muito tempo, enquanto que os que já viviam em uma "civilização", agiram de uma maneira insensível. 
     No entanto, é complicado julgar os personagens por suas ações e atitudes já que a tendência é analisar pela ótica que vivenciamos atualmente e o filme retrata uma dada realidade do século XIX. 
     A ação praticada pela mulher nos parece desleal e extrema já que ele demonstrou reações afetivas por ela, no entanto, essa afetividade só é vista por nós. Ela estava longe da família, estando também isolada (sem wifi) e sendo levada a exercer atividades que não gostava e que para ela não faziam sentido, além de servir como objeto sexual, uma vez, que quando o caçador tinha desejo de relacionar-se com ela, não havia da parte dele, nenhum cuidado e preocupação com o prazer da moça ou com o corpo dela. 
     O pai não tinha como opor-se ao pedido do caçador, pois, este tinha uma dívida grande para com ele e fazia parte da época os casamentos arranjados. Ele agiu de má fé nas duas negociações, embora na segunda ele pode ter tentado proteger a filha, ainda que a maior proteção seria não tê-la entregado ao homem já que ele também tinha suspeitas da dificuldade que poderia ser conviver com ele. 
     Já o caçador marginalizado, por ter sido solitário durante muitos anos e também por possuir um estilo de vida mais natural, quase "primitivo", não possuía manejo ideal para lidar com uma esposa que não se habituava à vida diferente que passou a viver. 


Irene Escolar


     A antropologia é o estudo do homem; sua evolução física, social e cultural. O filme então nos permite adentrar em uma discussão sobre os principais conceitos antropológicos: 
     Cultura – Inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem na condição de membro da sociedade. No entanto, a cultura é muito mais que os hábitos e costumes de um povo. A cultura é um código compartilhado por um grupo social e é aprendida dentro desse grupo. Sendo assim, qualquer ser humano pode aprender qualquer cultura desde que faça parte de seu primeiro grupo socializador. 
     Preconceito – O preconceito surge quando a diferença de culturas ou de características físicas ou de hábitos, dificulta a comunicação e causa um estigma social. A relação com a alteridade, nos faz chegar aos conceitos de etnocentrismo e relativismo cultural. 
     Etnocentrismo – É uma visão de mundo preconceituosa, pois, existe quando uma pessoa usa sua cultura como referencial para julgar a cultura alheia e tem somente a sua como certa e moral. O olhar etnocêntrico tende a colocar as culturas e diferenças culturais dentro da hierarquia e faz com que ocorra uma classificação entre os mais “primitivos” e os civilizados, fazendo assim com que os que são considerados os mais primitivos sejam oprimidos pelos que se consideram mais civilizados. 
     Relativismo Cultural – É uma maneira de encarar que outras culturas e práticas culturais diferentes da sua, podem possuir uma lógica que você não necessariamente precisa aceitar, mas tentar compreender. Esta diferença não é vista como atraso e procura-se evitar noções como certo e errado e passa-se a aceitar que é apenas diferente. 
     Para entender o filme, não é possível analisar sobre a ótica de nosso século. Não há como determinar o que os personagens deveriam ou não fazer, baseados nas características da nossa sociedade, baseados em nossa cultura ou nos comportamentos da mulher do século XXI. Portanto, o filme é excelente para ilustrar questões históricas e levantar discussões antropológicas e sociológicas.



REFERÊNCIAS:

MOTTA, Flávia de Mattos. Antropologia: Conceitos básicos. Disponível em https://pt.slideshare.net/FlviaDeMattosMotta/antropologia-conceitos-basicos, 2011, acesso em 01 de Abril de 2019.

25/03/2019

Código: IS 40.8

   

Fonte: Pensamento líquido


     Minuciosamente seus olhos passeiam por todas as figuras dos quadros. A exposição leva um nome curioso e não há informação alguma sobre a origem ou inspiração das obras. Nem se quer um breve relato sobre a representação das mesmas. Tratam-se de reproduções gráficas de um seleto grupo de sapientes designers que também são historiadores. No entanto, só o fato de serem designers está claro.
     Sua mente repete o título da exposição desde o primeiro momento em que lera. É um termo interessante, mas por não saber o significado da palavra, nada daquelas imagens lhe trazem à luz sobre seu real significado por mais que tente. E ainda que soubesse, jamais saberia interpretar o motivo de ser “Ópio” o título dado à exposição.
     De todas as únicas figuras que reconhecia até então, das dezenas que havia visto, era o livro, ainda que, todas as imagens estejam bastante adaptadas; quase distorcidas em versões bastante subjetivas dos autores. Na verdade, poderiam ser reconhecidas caso os visitantes da exposição e apreciadores das obras gráficas, soubessem o que havia sido a religião.
     O reconhecimento do objeto livro se deu por causa de uma exposição anterior intitulada “Antiguidades” onde pôde conhecer qual utilidade o objeto tivera no passado e que embora existindo no atual momento, não era usado.
     Em alguns instantes, encontrará algo semelhante à medalha que carregava em seu peito e se lembrará das palavras de um de seus progenitores no momento da solenidade: “Está em nossa estirpe há gerações!” Na verdade, jamais poderia imaginar que aquele tutor, era um de seus progenitores.
     Os progenitores são os responsáveis por trazerem novos indivíduos à existência, contudo, nunca podem estar em posse destes já que o direcionamento moral, educacional, profissional e pessoal de cada indivíduo, compete aos tutores que integram uma equipe multidisciplinar cuidadosamente escolhida, treinada e criteriosamente monitorada em suas ações e instruções, a qual é responsável pela formação e desenvolvimento de cada sujeito. A família fora uma Instituição extinta há séculos.
     Seguida do trabalho, a educação é a única instituição integrada e estratégica que de forma muito focada, se responsabiliza em estruturar qualitativamente o desenvolvimento de cada pessoa até que – segundo se acredita – toda a maturação esteja concluída.
     Nos Institutos de Formação Humana (IFH), estimula-se a habilidade específica de cada pessoa, segundo a tendência pessoal de cada um, ignorando valores de cooperação, interação, sociabilidade, mas focando na competitividade, lucratividade e produtividade. Assim, toda pessoa nascida, cresce direcionada a potencializar ao máximo suas habilidades com tutores dotados de capacidade e formação específica em desenvolvimento humano como um todo. Embora voltado à aplicabilidade da eficácia no rendimento laboral.
     Os tutores do IFH, apresentam direcionamentos por vídeos e algumas vezes presencialmente. A formação teórica e prática do sujeito pauta-se no racionalismo e na igualdade.
     Não há nomes. Toda pessoa é identificada pelo seu registro. Uma sequência de letras e números que, dados após a solenidade, ficam gravados em suas frontes, onde poucos conhecem o significado de cada uma das letras e algarismos que levam.
     V.M.H.N.3044.32.9134 estava agora na exposição de arte a qual foi conduzido para prestar a limpeza do local. Vez ou outra via algum quadro chegar antes da exposição ser lançada. Agora que finalmente podia misturar-se aos turistas do MAG (Museu de Arte Gráfica), apreciava sem maior interesse cada um dos quadros onde os organizadores expunham várias imagens de uma determinada categoria que era conhecida somente por eles. Os artistas do MAG, além de exímios ilustradores, são grandes historiadores. Competência esta que inclui algo que pouquíssimos conseguem fazer de forma crítica e compreensível: A leitura. Que se tornara uma atividade mecânica e formal.
     Estes artistas e somente eles, sabem a fundo do que se trata a exposição, uma vez que os elementos representados por todas aquelas figuras, também foram obrigatoriamente extintas há séculos.
     Bem como a leitura, todo tipo de atividade tornara-se prática e imediatista. Nenhum tipo de relacionamento afetivo é proibido, mas espontaneamente as pessoas não se tocam, não interagem e se comunicam apenas quando necessário. Qualquer tipo de vínculo afetivo é espontaneamente inexistente. As interações são programadas, automatizadas.
     V.M.H.N.3044.32.9134, faz parte do grupo de higienizadores de menor porte, a saber, os humanos selecionados para a limpeza de todo e qualquer ambiente. Como suas intrínsecas habilidades não se encaixavam em nenhuma área de notoriedade científica, sua utilidade foi aproveitada para a higienização de menor porte que aponta a subcategoria dos assuntos de higiene, assepsia e limpeza. Os higienizadores de maior porte, já se enquadram nos que possuem altos níveis de inteligência estratégica. Mesmo sendo recolhidos apenas materiais genéticos para a fecundação de seres éticos e perfeitos, às vezes, certas assepsias são consideradas necessárias.
      Todas as patologias físicas estão erradicadas, embora existam farmácias que possuem apenas medicamentos para trazer um estado de felicidade que, dependendo do valor pago, pode durar por dias, já que o topor, as crises existenciais, a melancolia, a agonia, a ansiedade, a depressão, a falta de esperanças dominam as mentes, tomam as massas e viver dopado é a única forma de sobrevivência.
     A identificação e diferenciação dos gêneros sexuais existentes, só ocorre quando é necessário trazer novas pessoas à vida e, a conclamação se dá meses antes da possível fecundação. Somente pessoas com características de bons progenitores são escolhidos; não há nenhum tipo de relação íntima, tudo acontece manualmente; desde o recolhimento do sêmen até a inserção deste no útero de outro progenitor detentor do útero. Mas não há nenhuma nomenclatura. Tudo é classificado como Vitae, qualquer organismo é chamado assim. A verbalização indiscriminada da diferenciação de todos os seres é proibida.
     V.M.H.N.3044.32.9134 é um Vitae nada curioso e nem um pouco questionador, embora aquela exposição causa-lhe ansiedade. Riu-se da criatividade dos ilustradores. Achou-os habilidosos e inventivos ao compor de suas próprias mentes imagens, sinais, siglas e símbolos próprios, segundo pensava. Nunca ouvira falar neles, embora, tudo o que poderia saber sobre, estava nos livros. Só que embora não extintos, eram obsoletos.
     Enfim, seus olhos já haviam contemplado todas as obras disponíveis. Comandos da direção do MAG antes mesmo que V.M.H.N.3044.32.9134 chegasse à exposição, já haviam lhe comunicado o destino das obras que estavam no estoque. Então, chegando ao local indicado, pôde identificar os quadros que lhe haviam falado e que deveriam ser descartados imediatamente segundo ordens recebidas, a comando dos próprios artistas.
     Cada quadro estava envolto por um papel branco fino e pouco transparente. De uma a uma as telas iam sendo removidas por V.M.H.N.3044.32.9134 para o incinerador. O quarto quadro já estava em suas mãos. Dá um espirro forte, seus olhos se fecham, sua cabeça se projeta para frente rapidamente e este movimento o desestabiliza, faz suas mãos enfraquecerem, suas pernas desequilibrarem e o quadro escorrega pela abertura inferior do papel que o cobria. O objeto cai no chão e permanece intacto virado com a imagem para a frente. Deixa o papel branco que está em suas mãos de lado e quando se volta agachado para levantar o quadro que caíra... Uma imagem bem diferente das demais chamou-lhe a atenção de forma súbita. A tela possuía riscos grosseiros, traços uniformes... Mas com um olhar mais apurado, seu semblante modificou-se de surpresa e encanto ao reconhecer algo familiar e, se não houvesse lembrado o conselho de seu tutor, teria sido alvo de uma série de investigações.
     Por sorte, quando estava para tocar a medalha em seu peito, congelou suas mãos no lugar ao ecoar em seus ouvidos a lembrança da voz que o aconselhou assim que deixou o IFH: “Está em nossa estirpe há gerações. Mas tenha cuidado, por favor! Não mostre isso a ninguém. Nunca!”
     Sabia que em sua medalha, havia informações que levavam a um grupo que sabe exatamente o que a mesma representa, no entanto, nunca teve interesse em identificar o que aquele símbolo de sua medalha – que julgava simples – significava.
     Como a maioria dos Vitaes, V.M.H.N.3044.32.9134 não tinha desejo de saber mais do que seus tutores do IFH disseram que ele deveria saber para um higienizador de menor porte.
     No entanto... Só agora, somente agora, um interesse espontâneo surgiu como uma explosão repentina. Quis saber quem era aquele homem seminu pendurado com uma espécie de galhos espinhosos enrolados em sua cabeça.
     O material em que seu corpo estava preso, era semelhante ao que V.M.H.N.3044.32.9134 carregava no peito. Duas estacas presas uma à outra. A estaca horizontal estava um pouco acima da estaca vertical. Não faz ideia do que é isto, não possui a menor noção do seu significado, embora, somente agora sua curiosidade tenha sido despertada.
     Então, com muito cuidado, retira a medalha de dentro de seu macacão e, virando-a com as mãos cerradas, passa os dedos nas inscrições que continham atrás das duas estacas. Seus olhos apertaram, e antes de procurar por informações sobre o objeto e uma espécie de vitae que parecia estar pregado nela, consegue ler os escritos na medalha:
     “Está consumado!”